A espera do Sol

GRD_1355_Fogão a lenha 2Era uma tarde fria. Chovia o tempo todo e não tinha como sair de casa. Tudo que se podia fazer era uma xícara de café bem quente e se acomodar sob um cobertor. Olhava o tempo lá fora sem esperança de que o sol saísse em algum momento. Olhava para as paredes enquanto se sentava próximo do fogão de lenha para se aquecer. Não havia casas próximas, compania, gato, cachorro, passarinho, nada. Só a solidão de mais um dia chuvoso e frio. A dor do frio consumia seus ossos, deixando qualquer movimento um tanto impossível. A chuva de dias passou a durar semanas e a situação a se complicar. Cada instante naquele frio era um instante a mais de dor e solidão. Não havia café que ajudasse a aquecer seu corpo. Quando os mantimentos acabaram, o café acabou, a lenha apodreceu, ela se entregou ao desespero e correu pra chuva. Correu alguns metros, deixou-se molhar inteira e decidiu deixar o frio fazer o seu serviço. Quando a hipotermia já estava a levando embora, caiu no chão estendida e sentiu uma sensação familiar na mão direita. Levantou a cabeça e contemplou o impossível. O Sol Saiu.

Para a amiga que me procura nos momentos chuvosos

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